A zona promissora das terras roxas que se estendiam pelas barrancas do lendário Tietê, começou no século passado a atrairfoto_igreja_2 gente destemerosa, que arrostava o misterioso sertão. À medida que a vila crescia, a fama da exuberância do seu solo ia atraindo mais gente de todas as camadas sociais”.
Antes de 1.875, já residia nos termos do Jaú o Sr. Silvério Saturnino Ferreira Coutinho, que foi o pioneiro da obra presbiteriana (protestante) na região.
Nessa época é que fixou residência no bairro do Ortigal, depois Capim Fino, o ilustre americano J.B. Howell que, não somente vinha realizar trabalho missionário, como exercer funções de educador. Efetivamente, organizou ali um colégio que serviu o bairro por muitos anos.
Com esta influência esse recanto de Jaú, tornou-se o mais evangelizado.
Em 1.877, o “pequenino rebanho”, cuja influência já se fazia sentir, teve de enfrentar a intolerância religiosa, que culminou em tremenda perseguição.
O Protestantismo histórico que de há muito florescia na Europa e América, liderando as nações mais civilizadas da época, era não só desconhecido como visto com muita prevenção, por parte de certas autoridades dominantes do Brasil.
Ele era portador da flâmula da liberdade religiosa, de imprensa e de pensamento, coisas não muito agradáveis em todos os tempos ao despotismo arbitrário civil religioso.
O reverendo João Fernandes da Gama veio á então vila do Jaú, pregar o Evangelho realizando um culto de adoração em casa do alemão Carlos Lauria, por não haver ainda templo no local. No dia em que estavam reunidos adeptos da religião e demais amigos, apareceu em frente à referida casa “uma horda de fanáticos intolerantes, armados de cacetes, pedras e lama e agrediram barbaramente o velho ministro, puxando-lhe as barbas, rasgando-lhe a roupa e esmurrando-o, deixando-o gravemente maltratado”. Isso se deu no Largo do Rosário, hoje Praça da República, a 26 de abril de 1.877. Dispersos os crentes, redobraram de novo entusiasmo com esse “batismo de fogo” e mais uma vez se verificou a verdade da afirmação: “O sangue dos mártires é sementeira da Igreja”, pois alguns anos depois a 14 de abril de 1.889, organizava-se definitivamente a Igreja Presbiteriana de Jaú.
O sonho de velhos crentes tinha agora a sua plena realização. O Presbitério de S. Paulo concilio que superintendia toda esta vasta zona, comissionou para a organização da Igreja, o reverendo J.B.Howell e presbítero João Vieira Bizarro.
Com 85 membros arrolados iniciaram-se as atividades de mais uma Igreja Presbiteriana. Foram escolhidos oficiais, os presbíteros Herculano Ernesto de Gouvêa e Bento Barbosa Alvarenga e diáconos Salvador Barbosa Conceição e José Martiniano Barbosa.
Estava assim em 1.889, há precisamente 65 anos, definitivamente, plantada em Jaú, a arvore bendita da Igreja evangélica que deveria crescer e dar frutos abençoados e, á cuja sombra hospitaleira centenas de almas viriam se abrigar.
Foi seu sucessor o reverendo J.B. Howell, que permaneceu á testa dos seus trabalhos de 14/4/ 1.889 a julho de 1.890. F. da Gama que pastoreou-a de 5/7/1.890 a 22/ 7/1.89l. Segue o reverendo João Vieira Bizarro, de 1/ 9/ 1.891 a 30/ 9/1.896. A seguir reverendo Herculano Ernesto de Gouvêa dirige-a de 1.896 a 1.904, sendo durante algum tempo co-pastor o ex-salesiano reverendo Constancio Homero Omegna, que ficou só no pastorado efetivo de novembro de 1.904 a agosto de 1.905. Nessa ocasião assume a liderança do trabalho o reverendo Juvelino de Camargo, até julho de 1.908, cedendo o lugar ao reverendo Manoel Arruda Camargo, que completa o ano de 1.908. O ano seguinte foi ocupado pelo reverendo Dr. Laudelino de Oliveira Lima, até dezembro de 1. 909. Volta a residir em Jaú, o reverendo Herculano E. Gouvêa de janeiro de 1.910 até fevereiro de 1.917, sendo durante algum tempo coadjuvado pelo seu filho reverendo Herculano Gouvêa Junior. Em março de 1.917 o reverendo Tancredo Costa toma o governo da Igreja, até janeiro de 1.933, sendo pastor substituto reverendo Renato Ribeiro dos Santos de janeiro a dezembro de 1.932 e reverendo Antonio Marques da Fonseca Filho durante todo ano de 1.933.

Em janeiro de 1.934 assume o pastorado o reverendo Luiz Rodrigues Alves, ocupando-o até o presente.
Entre esses pastores alguns se notabilizaram pelo seu ardor evangelístico vencendo a cavalo vastas regiões do sertão, passando dificuldades e perigos em suas viagens constantes.
Outros se distinguiram como jornalistas e poetas, polemistas e oradores, firmando o conceito cristão-evangélico na zona e tornando conhecido o espírito protestante.
Outros se destacaram pelo trabalho de educação e instrução, realizando ao lado do púlpito a obra da cátedra, tão necessária naqueles dias. Alguns se tornaram curas de almas com pronunciada tendência para o pastoreio do rebanho de Deus.
Quem realizou obra mais notável? Somente Deus que conhece os corações e que, em sua onisciência tudo desvenda, saberá responder a esta pergunta.
Logo após a organização da Igreja, começaram os presbiterianos de Jaú a trabalhar para a construção da casa de oração, que seria o primeiro templo evangélico da cidade, dedicado ao culto de adoração. A 13 de dezembro de 1.891 foi inaugurado, com a celebração da Santa Ceia, profissões de fé e batismo, sendo nessa ocasião instalado pastor o reverendo J.V. Bizarro.
O segundo templo foi erigido e inaugurado no pastorado do reverendo Tancredo Costa, sendo entregue ao culto a 21 de novembro de 1.920. É o atual cuja arquitetura bonita tem feito harmonizar-se com os edifícios da cidade.
Atualmente, com o desdobramento das associações internas e com as exigências da moderna pedagogia religiosa, aplicada aos trabalhos da Escola Dominical, estamos sofrendo a falta de espaço, estando já resolvida a edificação do novo templo, mais espaçoso e moderno no terreno de esquina que a igreja possui. Varias plantas estão sendo estudadas, e espera-se dentro de pouco tempo o inicio da edificação.
A Igreja possui uma excelente Escola Dominical, que se reúne dominicalmente as 9 e meia, para estudo especifico da Palavra de Deus. Há quatro departamentos de acordo com as idades e graus de amadurecimento dos alunos onde se ministram lições graduadas, preparadas por indivíduos especializados usadas em toda a Igreja nacional desde o “jardim da infância” até às classes dos adultos. A obra de educação religiosa com estudo acurado da Bíblia tem sido o apanágio das Igrejas Protestantes do Brasil.
Entre as sociedades domésticas, destacamos a S. Auxiliadora Feminina formada pelas damas da comunidade, preocupadas com o seu crescimento espiritual e com a obra de evangelização.
Constitui ela uma grande benção cooperando com todos os objetivos da Igreja. Os seus estudos bíblicos e missionários são fonte de inspiração para todas as irmãs.
A sociedade local é federada os congêneres do país.
A sociedade missionária, é constituída de varões, com o objetivo de levar o conhecimento do evangelho em sua simplicidade e pureza, a todos os recantos da cidade. Realiza para esse fim reuniões nos bairros e fora da zona urbana, anunciando as verdades salvadoras do evangelho de cristo.
Entre os seus trabalhos de importância, acha-se por certo a obra da cadeia local esforçando-se pela reforma moral dos criminosos por meio dos ensinos da Palavra de Deus, no espírito dos presos, a necessidade do arrependimento para cânticos e orações inculcando uma nova vida útil à sociedade e agradável aos olhos de Deus.
Já pode contar com mudanças operadas neste setor de trabalho ajudando na integração de egressos das prisões à vida social.
A união da Mocidade, federada ao grande movimento nacional orienta os jovens de ambos os sexos levando-os a cuidarem do físico, por meio de esportes, da mente por meio de leituras escolhidas e do espírito pela adoração e comunhão com Deus. Os moços cuidam da parte social para a educação integral, reúnem-se em congressos tomam parte em retiros, e colaboram na vida da comunidade.
A liga juvenil atende às crianças e adolescentes. É o primeiro treinamento para uma vida de serviço cristão.
Todas estas organizações trabalham harmonicamente sob a liderança de pessoas capacitadas para a direção e orientação geral.
A autoridade da Igreja reside no Conselho, integrado pelo pastor e presbítero, todos eleitos por escrutínio secreto, para tempo determinado no máximo cinco anos, podendo ser reeleitos. Todos estes oficiais são ordenados com “a imposição das mãos”, assumindo responsabilidades muito sérias e prometendo ser exemplo no meio do povo de Deus.
Além destes oficias, há um corpo de diáconos encarregado da assistência social, cuidando dos enfermos, arrecadação de bens etc, como havia na Igreja Primitiva.
A influência do trabalho evangélico de Jaú expandiu-se atravessando o sertão e estabeleceu-se em Iacanga e alem.
A Igreja local tem personalidade jurídica, possui e administra o seu patrimônio conservando sempre como objetivo precípuo de sua vida a evangelização pela mensagem salvadora de Cristo, a santificação dos convertidos, por meio de uma vida pura honesta e verdadeiramente cristã.
Não tem nenhuma dependência de Igrejas de países estrangeiros, com as quais está ligada pelos elos da fraternidade na comunhão dos santos, privilegio da Igreja Universal.
Ela ensina os seus filhos a serem bons cidadãos prestando serviço ao Estado, alfabetizando a todos os seus adeptos e preparando-os para o exercício do voto. Coopera com todos os empreendimentos da cidade, combatendo vícios estimulando a virtude e plantando Cristo e o seu ideal nos corações.
Com estes sublimes ideais impulsionados pela fé olhando com muita confiança para o futuro, com auxilio de Deus, ela prosseguira em sua marcha”.

NOTA DA REDAÇÃO: Este artigo foi encontrado num jornal antigo e foi transcrito no Jornal Centro Oeste regional, na edição especial dos 150 anos, de emancipação político administrativo de Jaú, no mês de agosto de 2003 e em comemoração dos 14 anos de vida do Jornal Centro Oeste regional. Está é uma homenagem ao reverendo Rodrigues Alves, que foi um grande pensador e jornalista por excelência.